Ainda nos tempos de faculdade aprendemos sobre o poder massificador da mídia. Daí conhecemos de perto o poder que a mídia tem para incutir na cabeça da massa, principalmente da massa jovem e/ou sem formação cultural, que esses lixos vendidos como produtos culturais, se trata de boa música.
Nos últimos dias, temos assistido uma verdadeira batalha entre SERTANEJO X FORRÓ TRADIÇÃO, onde os forrozeiros lançaram a campanha #DevolvaoMeuSãoJoão. Diga-se de passagem, é uma reivindicação mais do que justa por parte dos forrozeiros.
Nós, nordestinos, sertanejos, sabemos quão esperada é esta data para todos aqueles que aguardam o ano inteiro, se preparam musicalmente para tocar durante a festa de São João.
E não é justo nem com eles, os forrozeiros, nem com a própria festa essa descaracterização cultural que vem sofrendo ao longo dos anos, sendo esse de 2017, talvez o mais explícito. Já que nos grandes pólos da festa (Caruaru e Campina Grande), os sertanejos universitários vem tendo um espaço significativo na grade da programação musical, deixando de fora figuras tradicionais da festa.
Isso me faz reforçar que, Campina Grande "criou" através do então prefeito Ronaldo Cunha Lima, uma imagem de tradição junina que nunca teve. Que me desculpem os amigos campinenses, mas a verdade existe pra ser dita. Ronaldo, ao visitar a tradicional e cultural festa de São João de Santa Luzia, "copiou" a nossa festa, realizando em proporções do tamanho do seu amor por sua terra natal. Talvez, exatamente pela sua proporção acabou se desviando das características culturais que necessitam essa festa.
Mas, a questão aqui não é quem fez primeiro. Pois sabemos que o São João de Santa Luzia é o pioneiro no Brasil, com 75 anos de pura cultura de tradição. A questão é a descaracterização da festa.
Não é fácil manter os costumes de outrora, quando vivemos em constante evolução. E para não perdemos nossas referências se faz necessário um trabalho árduo, um trabalho de formiguinha como costumo dizer.
Nos anos de 2004 a 2008, essa influência midiática caiu como uma bomba na nossa festa. Os jovens invadiram as redes sociais, postando diversas manifestações contra a programação cultural do São João de Santa Luzia. Tínhamos um projeto cultural de alta qualidade, mas, que simplesmente não agradava a juventude.Não foi fácil! Alterações foram realizadas, mas sem perder o foco que era exatamente o resgate cultural da festa.
No ano seguinte, a mesma questão se impôs. Só que com menos veemência. Afinal, aqueles mesmos jovens que tanto atacaram e relutaram contra a programação cultural, tiveram a oportunidade de conhecer o seu valor e acredite, gostaram.
Dai pra cá, através desse projeto de resgate cultural, onde o Maestro Chiquito foi o maior responsável. Essa questão da qualidade musical, da preservação da nossa cultura, de nossos costumes vem se fortalecendo em nossa cidade e na nossa festa, a tal ponto que hoje vejo exatamente o inverso daqueles questionamentos.O que vemos hoje, são nossos jovens questionando a valorização dos artistas da terra. com uma maior conscientização desses valores.
Lógico que temos também atrações conhecidas nacionalmente, é preciso tentar agradar a gregos e troianos. Mas o que prevalece é a nossa cultura, os nossos artistas.
É muito mais do que justa a reivindicação de Elba Ramalho, Flávio José, Alcimar Monteiro, Jorge de Altinho, Assisão, Waldones, Eliane, Mano Walter, Solteirões do Forró, Gabirel Diniz, e tantos outros que convocam através das redes sociais o manifesto cultural com as hastegs #DevolvaoNossoSãoJoão, #OSãoJoãoédoNordeste, #SãoJoãosóéGrandeQuandotemForró.
Na nossa festa não cabe sertanejo, não cabe pagode, não cabe samba, aqui só cabe Forró. E forró de qualidade. nada de forró de plástico. Cada um no seu quadrado.
Santa Luzia aprendeu, e pelo visto, assim como foi "a cidade que ensinou o Brasil dançar forró", também vai ser a cidade que ensinará vocês resgatarem seus valores.
Campina Grande, Caruaru...podem copiar!
Janaína Patrícia,
Jornalista e blogueira!